“ Compreender é inventar” Piaget
Ao longo da leitura desde livro tive a oportunidade de apreender que o autor Seymour Papert é apologista da abordagem construtivista, em que o aluno terá de construir sempre novos saberes em qualquer situação. E é dentro desta perspectiva que se incluí a citação de Piaget “ Compreender é inventar” , em que o papel do professor consiste em criar condições para o aluno inventar, ou seja, criar situações de aprendizagem que permitam ao aluno ser criativo, não se limitar a memorização e debitar aquilo que o professor lhe transmite, ter uma papel activo no processo de aprendizagem. Este processo tem de possuir um carácter dinâmico e motivante, ou seja, a criança terá de encontrar uma razão para querer aprender isto ou aquilo e não porque tem de aprender à força porque vem no currículo.
Agora gostava de falar um pouco dos jogos de vídeo. As crianças quase de todas as idades têm um fascínio por jogos de vídeos, eu nunca tive essa tendência e respeito quem a tenha . Agora enquadrando os jogos de vídeo num processo educativo e útil,é necessário, para que tal aconteça e funcione da melhor forma, um equilíbrio entre a abordagem construtivista e a instrucionista , fazendo com que estes jogos de vídeos sejam utilizados para algo positivo com aprender…Isso era giro! E Papert indica-nos três modos para que tal aconteça:
· Utilizando-se a abordagem instrucionista, em que a criança ao jogar a um jogo de vídeo, ou de computador aprenda algo útil tal como o alfabeto, a contar ou até mesmo a tabuada. Neste tipo de jogos educativos, o utilizador tem de responder correctamente a questão relativas com o tema a aprender (abecedário, tabuada etc..) ou seja a criança aprende em contexto de jogo. Saindo um pouco do exemplo que Papert dá no livro, eu em tempos estava com o meu primo mais novo e ele tinha um cd com jogos educativos, um deles era sobre o abecedário em que nós clicavamos no jogo e aparecia uma plataforma com cores bastante agradáveis, com a’s e b’s a dançar ao som da musica. Existiam diferentes jogos, mas um deles que me recordo consistia num conjunto de objectos e num conjunto de palavras e o objectivo do jogo seria dar um nome ao objecto, ou seja, o utilizador clicava com o rato na imagem (ex:avião) e de seguida teria de clicar na respectiva palavra. Foi uma óptima forma do meu primo formar palavras e dar nomes aos objectos que o rodeavam e de ganhar interesse á formação de palavras e dar nomes concretos aos objectos.
· Utilizando-se a abordagem construtivista: em que Papert sugere que as crianças construam elas próprias um jogo, com a ajuda dos pais que a meu ver é um bom modo de interacção pai -filho e um modo bastante divertido de aprendizagem tanto para um como para outro. Esta actividade confere à criança novas capacidades técnicas de programação, desenvolvimento e descoberta de novos conhecimentos, e o mais relevante a meu ver desenvolvimento de autonomia e de controlo, ou seja, sendo a criança com ajuda parental a construir um jogo, mesmo sendo o mais simples de todos, isto fará com que ela controle a sua actividade intelectual, fará ela as escolhas para o que o jogo terá de ter, exploração de várias ideias, ela própria ira construir os seus saberes e os seus conhecimentos de uma forma autónoma. Agora lança-se a questão: Será que é a criança que manipula a maquina ou a maquina que manipula a criança? Nesta perspectiva penso que será a criança que manipula a máquina, porque é ela que decide o que quer que a maquina faça, é ela que decide que cores terá o jogo, qual o contexto em que o jogo se inserirá em outras aspectos programáticos, agora na perspectiva instrucionista existe um certo limite por parte da actividade da criança, claro que a criança poderá aprender em contexto de jogo, mas só terá como resultado certo ou errado não respostas alternativas, quase que não há raciocínio intelectual, a criança poderá apreender as respostas por memorização. Ela segue-se pelas instruções do computador, não tem muita autonomia e muito menos controlo. Há que ter em atenção a estes jogos educativos, será que ensinam da maneira correcta?Existem por esse mundo fora milhões de softwares educativos, e ás vezes a unidade parental é um pouco iludido pensando que está a fazer o melhor para a aprendizagem do seu filho. Muitas vezes muitos destes pais, vão com este pensamento” um jogo fácil de aprender…” quando se dirigem a uma qualquer loja de softwares e muitas vezes são enganados pelos próprios softwares, que enunciam uma fácil e rápida aprendizagem e de reacções rápidas. A questão aqui é a aprendizagem não precisa de ser rápida, desde que seja uma aprendizagem com bases fortes, em que a criança assimile aquilo que aprendeu, também não necessita de ser fácil, é verdade aprendizagem é visto como um processo bastante pesado e doloroso, mas não pode ser encarado desta maneira, deve se encontrar estratégias que anulem estes factores(tornar as práticas mais motivantes e mais dinâmicas), e uma das estratégias poderá ser através do computador em que a satisfação em aprender é restaurada, através de novos caminhos para adquirir a aprendizagem, novas alternativas de resposta, aprendizagem por descoberta etc… Para além disso como é do senso comum “o que é demasiado fácil não tem graça”, e o que faz com que as crianças achem as tarefas escolares um horror,é o seu carácter enfadonho e desmotivante, não por ser difícil, portanto a solução que eu encontro é dinamizar o trabalho escolar, as crianças têm de ter motivação para aprender, encontrar interesse no que estão a aprender, mesmo que seja difícil se tiverem estes factores elas terão gosto em aprender e desta forma melhor assimilaram a sua nova aprendizagem porque conferem significado ao que aprenderam.
· Utilizando-se uma abordagem do Aprender a aprendizagem, esta abordagem vem de encontro ao que os professores acham dos jogos educativos, têm-nos como somente úteis se forem de encontro à aprendizagem de estilo escolar, ou seja se proporcionarem conhecimentos que são transmitidos por outros, a meu ver isto não é correcto. Claro que a maioria das aprendizagens que adquirimos são transmitidas pelo professor, mas há várias coisas que aprendi através de uma aprendizagem natural, ora vejamos…há já sei....nas ferias de natal quando era mais novinha, punha-me em frente à televisão a assistir aqueles programas do national geographic que se passam no fundo do mar. Sempre senti fascínio por estes documentários, e se aparecessem tubarões ainda mais me interessava, tudo que aprendi acerca dos tubarões foi através deste programa da national geographic, as suas características, o seu comportamento, o seu habitat etc…só anos mais tarde é que vim a ter conhecimento das características dos tubarões através de uma abordagem muito ténue na disciplina de biologia do 12º ano, por isso bem podia esperar para saber algo mais profundo acerca destes animais, portanto agradeço à minha aprendizagem natural e por descoberta por ter assimilado estes conhecimentos acerca do mundo animal e por não não ter pensado: “háa eu vou dar isso na escola..”
Concluindo, penso que para o processo educativo ter sucesso e ser consistente deve ser suportado, pela abordagem construtivista e pela instrucionista dado que tanto uma como outra são importantes neste processo. A construtivista na medida em que confere ao processo de aprendizagem um carácter de autonomia e de controlo, em que o aprendizado poderá ou não ter autonomia para construir os seus próprios conhecimentos, as suas próprias estratégias de apropriamento de saberes e de ter controlo sobre o seu processo de aprendizagem.Enquanto que a abordagem instrucionista confere ao processo de aprendizagem um carácter de orientação, ou seja, orientar os conhecimentos para que o aprendizado aprenda da melhor forma.
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